Escola capacita professores para lidar com temas controversos em aula
Vencedora do Prêmio Inovação SINEPE/RS 2025, Pan American School promove debates entre estudantes com segurança pedagógica
Identidade, sexualidade, política, desigualdade social, fake news e revisionismo histórico são temas cada vez mais debatidos – nas redes sociais e fora delas. Mas a polarização política instaurada no Brasil e em outros países é uma barreira para um debate saudável.
Neste contexto, nasceu o projeto “Lidando com Tópicos Controversos na Sala de Aula”, da Pan American School, de Porto Alegre. A iniciativa foi reconhecida pelo Prêmio Inovação SINEPE/RS, com o Ouro na categoria Gestão Institucional.
Longe da desinformação e dos discursos de ódio tão comuns nas redes, é na sala de aula que crianças e jovens têm a oportunidade de tocar em temas espinhosos com segurança, em razão da confiança nos professores. Entretanto, nem todos os docentes estão preparados para mediar esses diálogos. Ao tratar de temas sensíveis ao longo dos anos letivos de 2022 e 2023, a Pan American School identificou silêncios pedagógicos, reações emocionais e conflitos entre estudantes, colegas e famílias.
“Um dos principais desafios era lidar com perguntas e comentários que envolviam temas sensíveis ou opiniões divergentes, especialmente considerando a idade dos alunos. Muitas vezes surgiam falas muito influenciadas pelo contexto social, e eu precisava conduzir a conversa de forma respeitosa, sem invalidar as vozes das crianças, mas também sem reforçar estereótipos ou informações equivocadas”, comenta a professora de Língua Portuguesa e Brazilian Social Studies – BSS (Estudos Sociais Brasileiros, em português), Cristiane Vianna, uma das docentes que participou da iniciativa.
O objetivo do projeto foi criar estratégias para capacitar os educadores para tratar de temas controversos de forma segura, ética, didática e alinhada aos princípios constitucionais e valores institucionais. A ação está de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define a competência de argumentar com base em fatos e informações confiáveis para formular e defender ideias.
As discussões mais desafiadoras concentravam-se nos componentes curriculares de Estudos Sociais Brasileiros e Língua Portuguesa e Literatura, geralmente no Ensino Médio. O projeto foi proposto por dois professores: Otto Homrich (mestre em Linguística Aplicada e especialista em estudos de Educação Midiática) e Rodrigo Vieira Pinnow (doutor em Memória Social e Bens Culturais e especialista em estudos de Humanidades Digitais).
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A iniciativa foi dividida em três pilares – liberdade de cátedra com responsabilidade, cultura escolar inclusiva e segura, e desenvolvimento docente contínuo – e envolveu 48 docentes, sete coordenadores e 10 profissionais de apoio, impactando mais de 450 estudantes. Ao todo, foram promovidos quatro workshops, sendo um geral e três específicos por segmento educacional, com metodologias participativas, estudos de caso e simulações para estabelecer um panorama de crise.
Com participação completa da equipe pedagógica, o projeto conseguiu dimensionar a melhora no preparo dos docentes. Antes da capacitação, em outubro de 2023, apenas 30,3% dos educadores diziam se sentir preparados e confortáveis para lidar com temas controversos. Após o projeto, em abril de 2024, o índice foi de 69,3%, um salto de 56%.

Além disso, professores de outras áreas incluíram atividades de checagem de fontes, e as reuniões com famílias passaram a citar a Política Institucional da escola, norteada pelo projeto, reduzindo interpretações divergentes sobre “neutralidade”.
“A aceitação dos alunos melhorou muito depois que a gente começou a ampliar o número de professores que discutiam essas questões e tópicos controversos de forma muito mais natural, ao invés de evitá-los”, comenta o professor Otto Homrich.
Como beneficiada, Cristiane destaca ter ganhado mais segurança ao abordar tópicos controversos em sala de aula, além de ter aprendido estratégias para mediar discussões, formular perguntas mais abertas e criar um ambiente seguro.
“Depois da formação, percebo que as aulas estão mais estruturadas no sentido do diálogo e da escuta. Consigo antecipar possíveis conflitos ou dúvidas e planejar intervenções mais conscientes. Os alunos também demonstram maior cuidado ao se expressar, aprendendo aos poucos que podem discordar com respeito”, complementa a professora.
Fundada em 1966 e localizada em Porto Alegre (RS), a Pan American School é uma escola internacional e bilíngue, credenciada pelo International Baccalaureate (IB), pela New England Association of Schools and Colleges (NEASC) e pela Secretaria Estadual de Educação (SEDUC/RS). A instituição promove uma formação pautada na cidadania global, empatia, pensamento crítico e responsabilidade social. Sendo a única escola internacional do Rio Grande do Sul, conta com um corpo docente e administrativo multicultural, composto por cerca de 130 profissionais de diversas nacionalidades.
A comunidade escolar atende aproximadamente 450 estudantes, da Educação Infantil ao Ensino Médio. Ao concluir os estudos, os alunos recebem dupla diplomação: a certificação brasileira, reconhecida pelo Ministério da Educação, e o High School Diploma americano.
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