Estudantes protagonizam a redução de conflitos em escola de Porto Alegre
Colégio Leonardo da Vinci Beta utiliza a mediação como estratégia pedagógica para promover o diálogo e a empatia
Reduzir conflitos e desenvolver competências como empatia, paciência e respeito às diferenças é o desafio de escolas que lidam com o amadurecimento de crianças e jovens. Para responder a essa demanda, o Colégio Leonardo da Vinci Beta, na Zona Sul de Porto Alegre, criou o projeto Mediação.
Com base na Comunicação Não-Violenta, na Justiça Restaurativa e nas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a iniciativa promove o protagonismo estudantil e a convivência saudável entre os alunos. O sucesso da prática foi reconhecido em dezembro de 2025 com a conquista do Bronze na categoria Estudante Protagonista do Prêmio Inovação SINEPE/RS, consolidando a eficácia da ação no cenário educacional gaúcho.
A iniciativa transforma o conflito em oportunidade de aprendizado, utilizando diversas frentes de ação:
Os resultados são avaliados por meio de registros escritos e desenhos feitos pelos próprios alunos mediadores. Nos quase oito anos de projeto, a escola registrou queda significativa no número de casos encaminhados à direção, com os alunos gerenciando autonomamente as situações cotidianas, além da melhora comprovada em empatia, paciência, responsabilidade e respeito às diferenças por parte das crianças e dos jovens. O Mediação também foi replicado para as unidades do colégio Alfa (também em Porto Alegre) e Gama (em Canoas).
“A participação tem sido expressiva, em torno de 10 a 20 estudantes por ano. Os estudantes participantes valorizam bastante o apoio que podem oferecer aos pequenos e a participação nos demais projetos preventivos da escola”, comenta a psicóloga da unidade Beta, Jamille Wiles, uma das idealizadoras e coordenadoras do projeto.
Leia também:
>> Escola de Veranópolis prioriza bem-estar e saúde mental dos professores
>> Escola capacita professores para lidar com temas controversos em aula
>> Rústica do Colégio Santa Inês une gerações há quatro décadas
Jamille destaca que os conflitos seguem ocorrendo, por serem importantes para o aprendizado, entretanto, é notável que, cada vez mais, os estudantes têm ampliado suas ferramentas para lidar com as situações. “Eles valorizam espaços em que podem se expressar, ouvem o outro lado e tentam encontrar uma estratégia que seja satisfatória para todos”, analisa.
A psicóloga também destaca que os sentimentos de acolhimento e tranquilidade também são mais perceptíveis entre os educadores, mesmo quando a mediação é conduzida por adultos. “Eles percebem a intervenção muito mais como uma oportunidade do que como uma punição”, explica.
Uma das participantes é a estudante Luiza Lucini, nove anos, que, por meio do projeto, criou novas amizades com colegas de outras turmas e passou a conviver mais com a psicologia escolar. Outra experiência destacada foi uma audiência “de verdade” no Foro de Porto Alegre. A resolução de conflitos por meio de uma forma educada e gentil, além de escuta paciência e imparcial também foi um dos ensinamentos da aluna, que aprendeu que “todos têm seu ponto de vista”.
Como dica para outras crianças e jovens, Luiza sugere que sempre busquem conversar e não revidar as agressões durante um conflito, além de sempre procurar um adulto responsável, seja na escola ou na família, para ajudar a mediar.
Marcela Marzullo Schneider é mãe da Isabela, estudante do 1º ano do Ensino Fundamental I, e conta que a filha sempre teve grande interesse em participar. “Percebemos que após sua participação no grupo de mediadores, a Isabela passou a compreender de forma mais profunda a importância do diálogo na resolução de conflitos”, relata Marcela.
“Acreditamos que nós pais temos um papel essencial em incentivar a participação e o engajamento dos nossos filhos. A criança que tem o suporte em casa se sente mais segura, confiante e capaz de contribuir na solução de conflitos. Além disso, passa a reconhecer com mais facilidade quando ela própria precisa pedir ajuda diante de uma situação que não consegue resolver sozinha”, complementa a mãe de Isabela.
Permanente desde 2018, o projeto é desenvolvido pelo Serviço de Psicologia Escolar do colégio e abrange todos os níveis de ensino. Ao todo, foram envolvidos 610 estudantes nesta ação. Destes foram:
TAGS
E fique por dentro das novidades