Da escola ao mundo: como preparar jovens para o mercado
Neste artigo, Jéssica Machado mostra que orientar a carreira dos jovens exige desenvolver identidade e adaptabilidade
O momento em que um jovem se vê diante da pergunta “o que você quer ser quando crescer?” costuma chegar muito antes de ele ter ferramentas para respondê-la. Para gestores, coordenadores e professores, esse é um ponto de atenção central. A transição da escola para o mundo do trabalho não é apenas uma questão de escolha de curso ou profissão; é um processo de construção de identidade que exige suporte intencional e estruturado de todos que estão ao redor do jovem.
A orientação profissional realizada com adolescentes estimula o autoconhecimento, a formação de habilidades, competências e conhecimentos necessários para a elaboração de projetos de vida, além de oferecer suporte psicológico a jovens que enfrentam desafios significativos nessa etapa do ciclo vital. Isso significa que o trabalho começa antes da pesquisa sobre profissões: passa primeiro por ajudar o estudante a reconhecer seus interesses, valores e recursos pessoais, assim compreendendo sua identidade e objetivos.
Um equívoco frequente é tratar o projeto de vida como uma definição permanente. Na perspectiva contemporânea de carreira, ela deixa de ser entendida como uma sequência de empregos ao longo da vida e passa a ser vista como um processo construtivo, pessoal e socialmente, por meio dos significados atribuídos às escolhas profissionais realizadas. Essa virada conceitual tem implicações práticas: orientar não é apontar um caminho, mas desenvolver a capacidade do jovem de construir e reconstruir sua trajetória.
A adaptabilidade de carreira é definida como a prontidão e os recursos utilizados pelos indivíduos ao se confrontarem com tarefas de desenvolvimento profissional, transições ocupacionais e desafios pessoais. Ela é composta por quatro dimensões:
Desenvolver essas quatro dimensões nos estudantes é, na prática, prepará-los para um mercado em constante transformação.
A escola não precisa, nem deve, assumir o papel de tomadora dessa decisão. Mas pode criar condições para que o processo aconteça. Isso inclui espaços estruturados de reflexão sobre trajetórias, contato com diferentes realidades profissionais e conversas que conectem conteúdo acadêmico a propósito de vida. Atividades grupais e rodas de conversa sobre trabalho, estudo e profissões contribuem para ampliar o conhecimento dos estudantes e proporcionar momentos de reflexão sobre o futuro, auxiliando os jovens na construção de sua identidade e de um projeto de trajetória universitária e profissional.
O papel do professor, do coordenador e do gestor não é ter todas as respostas, é criar as perguntas certas no momento certo.
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