Do som das letras à leitura do mundo
Neste artigo, a pedagoga Adriana Fantin analisa o impacto do processo de leitura e escrita em alusão ao Dia do Alfabetismo
Adentrar no mundo letrado, em sentido geral, significa tomar consciência dos sons das letras (consciência fonológica) e compreender que, organizadas, elas formam palavras e atribuem significado às coisas. O domínio dessa “técnica” capacita o sujeito a relacionar-se com o ambiente letrado, no qual a comunicação e a expressão assumem formas que permitem organizar ideias e transmitir mensagens.
O domínio da leitura permite conhecer as ideias de outras pessoas e, assim, aprimorar a visão de mundo, construir novas ideias e também expressá-las. “Quem escreve, escreve para ser lido!”, afirma o linguista e professor Luiz Carlos Cagliari em sua obra “Alfabetização & Linguística“.
Por volta dos cinco anos de idade, esse universo letrado vem à tona com mais força. Queremos compreender o que as placas nas ruas estão informando, o que está sendo dito em um livro e como podemos nos apropriar disso. Inicia-se, então, o processo de alfabetização. Quando falamos nisso, normalmente o primeiro pensamento que nos vem à mente é como fomos alfabetizados, quem eram nossas alfabetizadoras. Isso não é incomum.
A alfabetização é uma etapa que ocorre de maneira satisfatória apenas quando estamos emocionalmente envolvidos e somos devidamente encorajados a mergulhar nesse universo letrado por meio de experiências ricas e diversificadas. A ação e a intervenção da alfabetizadora nesse processo, assim como o olhar atento da família nessa fase da criança, ajudam a consolidar a alfabetização de modo mais eficaz.
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A psicóloga, pesquisadora e pedagoga argentina Emilia Ferreiro já nos mostrava, em seus estudos, que a alfabetização não é um treino mecânico, mas um processo ativo e interativo do sujeito com o mundo letrado. Afinal, como a própria autora afirma, “por trás da criança que pega o lápis, há uma criança que pensa”.
Essas ideias também estão presentes na teoria do psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky, que compreende a alfabetização como um processo cultural e interativo de construção de significados. Ou seja, se estamos implicados nesse processo, lemos palavras, lemos ideias, ampliamos nossa visão de mundo e não apenas as codificamos.
A educadora e pesquisadora Magda Soares amplia esse conceito ao abordar a alfabetização e o letramento como o uso real dessa capacidade de manifestação na sociedade, um empoderamento necessário para o exercício da cidadania.
Essas ideias são fundamentais para compreendermos o quanto o processo de alfabetização é complexo, necessário e libertador, uma vez que emancipa o sujeito, tornando-o capaz de ampliar sua comunicação e sua participação na sociedade. A partir do momento em que podemos ler o mundo, ampliar conceitos e expressar ideias, crescemos, evoluímos, tornamo-nos mais reflexivos, autônomos, empáticos e atentos ao que nos cerca, tendo a oportunidade de agir em prol dele.
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