Uso de tecnologias digitais com intenção pedagógica é destaque em escola

Com mais de um século de tradição e excelência em educação, o Colégio Marista Rosário abre suas portas para a Missão Educacional de Porto Alegre

imagem: Colégio Marista Rosário, divulgação

Uma instituição centenária que se destaca pelo equilíbrio entre tradição e inovação tecnológica: assim pode ser definido o Colégio Marista Rosário. Fundada em 1904 por irmãos maristas vindos da França, a escola conta com um complexo de quase 50 mil metros quadrados de área construída e registra mais de 15 mil acessos diários, gerenciando seus processos operacionais, inclusivos e de inovação.

E, para conhecer um pouco dessa história e dos processos que constroem importantes instituições privadas de ensino da capital, o SINEPE/RS realizou a Missão Educacional de Porto Alegre em comemoração ao bicentenário do ensino privado no Rio Grande do Sul.

Promovida pelo sindicato durante o mês de setembro, a iniciativa reuniu gestores, educadores e dirigentes de diversas redes para uma troca de experiências. Ao todo, foram visitadas sete escolas para investigar como essas instituições evoluíram suas propostas pedagógicas sem perder a essência que moldou a educação no estado.

Assim, o Educação em Pauta apresenta uma série de reportagens sobre as escolas participantes e a experiência de abrirem suas portas para compartilhar conhecimentos e vivências em sala de aula. A primeira delas é sobre o Rosário.

Inovação tecnológica com propósito

Com foco temático voltado às tecnologias educacionais, a missão conduziu os participantes por uma reflexão sobre a aplicação prática de recursos digitais em sala de aula. No Colégio Rosário, ferramentas como óculos tridimensionais, plataformas de robótica e telas interativas não funcionam de forma isolada, mas sim subordinadas ao planejamento do professor e a um plano diretor de investimentos e gestão de obsolescência.

Esse trabalho é conduzido por um departamento especializado de Tecnologias Educacionais (TE), composto por oito profissionais organizados estrategicamente para atender alunos desde a Educação Infantil ao Ensino Médio.

A equipe divide a sua atuação entre o suporte pedagógico-administrativo às coordenações e a colaboração direta com professores e estudantes. A dinâmica das atividades é moldada pela maturidade tecnológica de cada docente e pelas necessidades de cada turma, variando desde projetos desenvolvidos pela equipe de TE para serem executados pelos professores até iniciativas criadas integralmente pelos próprios estudantes.

Segundo o coordenador de Tecnologias Educacionais do colégio, Márcio Giacomini, o setor funciona como um catalisador das práticas de ensino. “A TE é uma grande ferramenta na mão do professor. O meu papel como coordenador é fazer esse link e ajudar a equipe a entender como utilizar essas possibilidades como um instrumento de ensino real. O parque de ferramentas físicas e digitais é o mesmo, mas a forma de aplicar muda drasticamente porque atendemos públicos em estágios de desenvolvimento completamente diferentes”, destaca Giacomini.

Uma das abordagens mais marcantes da proposta do Rosário ocorre na Educação Infantil, em que o conceito de pensamento computacional é trabalhado prioritariamente de forma desplugada, sem o uso imediato de plataformas digitais. A estratégia desmistifica a ideia de que a inovação tecnológica exige obrigatoriamente dispositivos eletrônicos na primeira infância.

Nesta fase, a tecnologia é explorada por meio do movimento, da orientação espacial e do esquema corporal dos alunos, em estreita parceria com as aulas de Educação Física e com as professoras regentes de turma.

“Quando falamos em pensamento computacional, o termo remete quase automaticamente a ecrãs [telas] e dispositivos eletrônicos. No entanto, antes do computacional vem a tecnologia, e ela não é necessariamente eletrônica. O lápis e o livro, no seu tempo, já foram tecnologias revolucionárias. Na Educação Infantil, começamos pelo corpo do estudante, trabalhando noções de lateralidade, equilíbrio, esquerda e direita. Tudo isso constrói a base para o raciocínio lógico e o pensamento computacional de forma natural”, destaca o coordenador.

A transição para os ecrãs é feita de forma gradual. Nos primeiros anos do Ensino Fundamental, o colégio introduz brinquedos, jogos e dispositivos eletrônicos sem ecrã, para só a partir do 3º ano expandir o contato direto com monitores e plataformas digitais.

Laboratórios do colégio focam no desenvolvimento de habilidades em diferentes áreas do conhecimento e adequada a faixa etária dos estudantes | Crédito: Colégio Marista Rosário, divulgação

Jornada tecnológica na vida escolar

É nos Anos Iniciais que o departamento registra o seu maior volume de projetos e a aplicação mais clara das metodologias de TE. O modelo de regência de turma em unidocência facilita a criação de projetos interdisciplinares, em que uma mesma proposta articulada pela equipe de tecnologia consegue integrar conteúdos de Matemática, História, Ciências e Língua Portuguesa.

À medida que os estudantes avançam pelos Anos Finais e pelo Ensino Médio, a complexidade das ferramentas acompanha o amadurecimento dos alunos. O ecossistema de aprendizagem passa a incorporar impressoras 3D, máquinas de corte a laser, componentes eletrônicos, programação e conceitos de inteligência artificial.

Para Márcio Giacomini, o segredo da integração tecnológica reside na flexibilidade e na transparência do processo. “Cada projeto exige um nível diferente de complexidade. O objetivo final não é apenas o domínio técnico de um software ou de uma máquina, mas sim garantir que a tecnologia sirva como ponte para o conhecimento científico, o raciocínio crítico e a colaboração. É um trabalho que formamos dentro da escola, mas que devolvemos como valor e aprendizagem para a sociedade”, conclui.

Na visão do diretor do Colégio Marista Rosário, Maurício Erthal, o laboratório de inovação da escola deixou de ser um espaço focado unicamente na descompressão para se tornar uma consequência direta do trabalho pedagógico diário. “A inovação nem sempre é apenas a de ponta. Ela inclui recursos pedagógicos bem estruturados e até o uso de tecnologias assistivas combinadas com materiais simples, como massinha de modelar, para o desenvolvimento de noções linguísticas e matemáticas associadas aos componentes curriculares”, explica o diretor.

Troca de experiências e aprendizados

Erthal destaca a importância da missão promovida pelo Sindicato. Para ele, a iniciativa cumpre um papel fundamental ao integrar os diferentes atores do setor educacional no compartilhamento de aprendizados reais.

Segundo ele, independentemente do porte ou da localização da instituição, as dores, queixas e alegrias da gestão escolar se replicam. “O principal valor dessa iniciativa é a oportunidade de aproximação com outros atores da educação que respiram as mesmas tensões e buscam respostas semelhantes para as necessidades atuais, abrindo a nossa instituição para uma verdadeira troca de experiências”, destaca.

Maurício Erthal apresenta a história do Colégio Marista Rosário durante a Missão Educacional de Porto Alegre | Crédito: Colégio Marista Rosário, divulgação

Durante as dinâmicas de escuta e questionamentos da Missão Educacional, conduzidas pela coordenação pedagógica e por monitores de tecnologia da instituição, as dúvidas dos visitantes concentraram-se em três eixos centrais: recursos, estrutura de gestão e temas emergentes.

A gestão de um patrimônio de grande porte, a contratação de serviços terceirizados e a implementação do Novo Ensino Médio dividiram espaço com temas humanos sensíveis, como o suporte à saúde emocional de alunos e professores e a estrutura necessária para garantir a inclusão escolar completa, que envolve acompanhamento técnico, adaptação física e diálogo constante com as famílias.

O interesse gerado pela imersão motivou consultas diretas de diretores e coordenadores sobre fluxos operacionais, custos e fornecedores de equipamentos, com solicitações de retorno para novas visitas técnicas. “Mantivemos total transparência ao compartilhar nossas práticas e fluxos com os visitantes. Foi um momento rico de escuta e aprendizado mútuo sobre como uma escola prestes a completar 123 anos consegue preservar sua tradição e, ao mesmo tempo, responder às exigências contemporâneas da educação”, conclui Maurício Erthal.

TAGS





Assine nossa newsletter

E fique por dentro das novidades