A cultura da responsabilidade social para além da sala de aula

Destacado com o Prêmio Inovação SINEPE/RS 2025, projeto da Pan American School reforça a empatia como diferencial educacional

por: Bianca Zasso | bianca@padrinhoconteudo.com
imagem: Crédito: Pan American School, Divulgação

Definir um cidadão global, conceito que tem ganhado cada vez mais destaque na sociedade, é uma tarefa complexa. O entendimento da Pan American School (PAS), de Porto Alegre, não se restringe ao domínio de idiomas e ao investimento em currículos internacionais, e contempla a capacidade de converter conhecimento em impacto social. 

A partir dessa ideia, nasce o projeto “Empatia em Ação, Juntos Prosperamos: a construção de uma cultura de responsabilidade social”, iniciativa que venceu a Prata na categoria Responsabilidade Social do Prêmio Inovação SINEPE/RS 2025. 

A iniciativa tem como pilar central a compreensão de que a empatia é algo que deve ser integrado ao cotidiano escolar, a partir de diversas iniciativas que envolvem toda a comunidade da escola. A instituição, que atende cerca de 460 alunos de 15 nacionalidades, colocou em prática o que já fazia parte de sua filosofia. De acordo com a coordenadora de comunicação e marketing, Melanie Caffarate, o projeto não é uma ação paralela ao currículo, ele colabora para a formação de alunos preparados para a vida.

Quando falamos em empatia, não estamos tratando de uma ideia abstrata, mas de uma competência prática que impacta o jeito de ser, de se relacionar e de liderar“, ressalta.

Um dos pontos altos do projeto foi a Walkathon, uma caminhada solidária inspirada em modelos internacionais, onde os participantes buscam doações para a consolidação de uma proposta. A escolha desta primeira edição, realizada em junho do ano passado, foi a revitalização da Praça Dr. João Petersen Júnior, espaço localizado próximo à instituição, no bairro Petrópolis. Foram arrecadados mais de R$ 85 mil. Mas os impactos sociais vão além de números.  

Famílias, estudantes, colaboradores e patrocinadores ajudaram a construir a Walkathon, caminhada solidária que arrecadou doações para a revitalização de uma praça próxima à Pan American School | Créditos: Pan American School, Divulgação

A estratégia permitiu que famílias estrangeiras criassem raízes na capital gaúcha. “Ao se envolverem com a revitalização de um espaço público, essas famílias passam a se conectar com a realidade do território, tornando-se, de certa forma, mais porto-alegrenses”, afirma Melanie. Segundo ela, a causa é local, mas o valor que a sustenta é universal, o que permitiu um engajamento genuíno de diferentes culturas em prol da cidade.

Escuta ativa e protagonismo estudantil

O sucesso da iniciativa deve-se a uma gestão que envolveu parcerias sólidas com organizações patrocinadoras e apoiadoras. Já a comunicação interna e externa da escola focou na escuta ativa e na construção coletiva através de reuniões semanais com famílias e colaboradores.

“Esse senso ampliado de corresponsabilidade transformou a Walkathon em algo genuinamente construído por muitas mãos, ampliando pertencimento, legitimidade e impacto”, destaca Melanie. Essa cultura robusta construída pela escola permite que outros projetos sigam fazendo parte da agenda e da vida dos estudantes com significado. É o caso do “Arroz com Feijão”, iniciativa que, desde 2020, já arrecadou mais de 17,5 toneladas de alimentos em parceria com o Banco de Alimentos de Porto Alegre. 

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A comunicação da escola trabalha na direção de evidenciar que o que acontece na sala de aula se expande para o mundo real. A Walkathon e as demais iniciativas são provas concretas de que nosso modelo pedagógico forma estudantes capazes de transformar conteúdo em ação”, pontua Melanie.

A consolidação dessa cultura de responsabilidade social visou potencializar iniciativas que já existiam na escola, sempre sob o prisma do protagonismo estudantil. Hoje, a força da empatia está inserida na trajetória acadêmica, como relata Eduardo Veiga, estudante do segundo ano do Ensino Médio. “Gostei muito de participar do planejamento. Ouvimos diversas perspectivas nas reuniões, vindas de toda a comunidade. Foi uma excelente oportunidade para aprender sobre gestão de equipes”, lembra o aluno. 

O ano de 2026 começou com a colheita dos primeiros frutos práticos. No último dia 7 de março, a comunidade escolar e os parceiros se envolveram diretamente na execução da obra de revitalização da praça. A próxima Walkathon já integra o calendário institucional, com novas causas a serem definidas. Para Melanie, o projeto é a expressão máxima de uma educação transformadora.

A Walkathon é a compreensão de que o conhecimento é uma ferramenta para servir, dialogar, construir e transformar o mundo ao redor. É assim que seguimos cultivando uma comunidade que aprende junto, age com propósito e prospera em conjunto”, finaliza.

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