Estudantes protagonizam a redução de conflitos em escola de Porto Alegre

Colégio Leonardo da Vinci Beta utiliza a mediação como estratégia pedagógica para promover o diálogo e a empatia

por: Vitória Leitzke
imagem: Marne Andriotti – SINEPE/RS

Reduzir conflitos e desenvolver competências como empatia, paciência e respeito às diferenças é o desafio de escolas que lidam com o amadurecimento de crianças e jovens. Para responder a essa demanda, o Colégio Leonardo da Vinci Beta, na Zona Sul de Porto Alegre, criou o projeto Mediação

Com base na Comunicação Não-Violenta, na Justiça Restaurativa e nas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a iniciativa promove o protagonismo estudantil e a convivência saudável entre os alunos. O sucesso da prática foi reconhecido em dezembro de 2025 com a conquista do Bronze na categoria Estudante Protagonista do Prêmio Inovação SINEPE/RS, consolidando a eficácia da ação no cenário educacional gaúcho.

A iniciativa transforma o conflito em oportunidade de aprendizado, utilizando diversas frentes de ação:

  • Mediação entre pares: alunos voluntários atuam em duplas ou trios por uma semana, auxiliando colegas a resolver disputas e promover a inclusão;
  • Medida Pedagógica Alternativa: desde 2022, a mediação é usada como alternativa a sanções punitivas – advertências –, onde alunos que transgridem regras criam propostas de intervenção para melhorar o clima escolar;
  • Oficinas de convivência no contraturno: por meio de jogos e brincadeiras, hobbies e conhecimentos dos próprios estudantes e atividades fora das telas para alunos de diferentes níveis; 
  • Clube das Virtudes: encontros semanais baseados em contos para reflexão ética e aprofundamento de relações.

Menos conflitos e mais autonomia

Os resultados são avaliados por meio de registros escritos e desenhos feitos pelos próprios alunos mediadores. Nos quase oito anos de projeto, a escola registrou queda significativa no número de casos encaminhados à direção, com os alunos gerenciando autonomamente as situações cotidianas, além da melhora comprovada em empatia, paciência, responsabilidade e respeito às diferenças por parte das crianças e dos jovens. O Mediação também foi replicado para as unidades do colégio Alfa (também em Porto Alegre) e Gama (em Canoas).

“A participação tem sido expressiva, em torno de 10 a 20 estudantes por ano. Os estudantes participantes valorizam bastante o apoio que podem oferecer aos pequenos e a participação nos demais projetos preventivos da escola”, comenta a psicóloga da unidade Beta, Jamille Wiles, uma das idealizadoras e coordenadoras do projeto.

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Jamille destaca que os conflitos seguem ocorrendo, por serem importantes para o aprendizado, entretanto, é notável que, cada vez mais, os estudantes têm ampliado suas ferramentas para lidar com as situações. “Eles valorizam espaços em que podem se expressar, ouvem o outro lado e tentam encontrar uma estratégia que seja satisfatória para todos”, analisa. 

A psicóloga também destaca que os sentimentos de acolhimento e tranquilidade também são mais perceptíveis entre os educadores, mesmo quando a mediação é conduzida por adultos. “Eles percebem a intervenção muito mais como uma oportunidade do que como uma punição”, explica. 

Lições de diálogo na prática

Uma das participantes é a estudante Luiza Lucini, nove anos, que, por meio do projeto, criou novas amizades com colegas de outras turmas e passou a conviver mais com a psicologia escolar. Outra experiência destacada foi uma audiência “de verdade” no Foro de Porto Alegre. A resolução de conflitos por meio de uma forma educada e gentil, além de escuta paciência e imparcial também foi um dos ensinamentos da aluna, que aprendeu que “todos têm seu ponto de vista”.

Como dica para outras crianças e jovens, Luiza sugere que sempre busquem conversar e não revidar as agressões durante um conflito, além de sempre procurar um adulto responsável, seja na escola ou na família, para ajudar a mediar. 

Marcela Marzullo Schneider é mãe da Isabela, estudante do 1º ano do Ensino Fundamental I, e conta que a filha sempre teve grande interesse em participar. “Percebemos que após sua participação no grupo de mediadores, a Isabela passou a compreender de forma mais profunda a importância do diálogo na resolução de conflitos”, relata Marcela.

“Acreditamos que nós pais temos um papel essencial em incentivar a participação e o engajamento dos nossos filhos. A criança que tem o suporte em casa se sente mais segura, confiante e capaz de contribuir na solução de conflitos. Além disso, passa a reconhecer com mais facilidade quando ela própria precisa pedir ajuda diante de uma situação que não consegue resolver sozinha”, complementa a mãe de Isabela.

Engajamento dos estudantes

Permanente desde 2018, o projeto é desenvolvido pelo Serviço de Psicologia Escolar do colégio e abrange todos os níveis de ensino. Ao todo, foram envolvidos 610 estudantes nesta ação. Destes foram:

  • 11 da Educação Infantil
  • 325 do Ensino Fundamental I
  • 255 do Ensino Fundamental II
  • 19 do Ensino Médio, via Itinerário Formativo de Mediação de Conflitos

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