Educação 4.0: autonomia de alunos é estimulada em colégio da capital gaúcha

Currículo da instituição promove o ensino por meio do conceito “mão na massa”

por: Educardo Wolff | eduardo@padrinhoconteudo.com
imagem: Freepik

Em essência, a Educação 4.0 visa preparar o aluno para o futuro, para uma nova dinâmica do mercado de trabalho, além de promover uma maior interação com a sociedade. É justamente esse conceito que foi aplicado no Colégio La Salle São João, de Porto Alegre, que atende mais de 1,2 mil alunos da Educação Básica. 

Sucesso entre seus estudantes, a instituição de ensino obteve reconhecimentos relevantes. Entre eles, o Bronze no Prêmio Inovação Sinepe/RS 2023, na categoria Gestão Institucional e o 1º lugar nacional entre as escolas privadas no Prêmio Seymour Papert-Paulo Freire, do Centro de Inovação para a Excelência em Políticas Públicas, conquistado em 2022.

Para que isso se tornasse uma realidade, o pontapé inicial foi dado em 2017, quando foi implementada a robótica educacional. Com o passar dos anos, o colégio foi se desenvolvendo, inaugurou seu espaço maker, que atendia somente o Ensino Fundamental, e, posteriormente, incorporou o Ensino Médio e, mais recentemente, a Educação Infantil. 

>> Confira o vídeo de apresentação do projeto na Defesa Pública do Prêmio Inovação SINEPE/RS

Conforme salienta o coordenador da robótica e professor de Física do Colégio La Salle São João, Gabriel Schabbach Schneider, a ideia é que os alunos criem suas atividades e trabalhem em conhecimentos como matemática, física e química. “Tudo isso de uma forma diferente do tradicional, usando as ferramentas educacionais modernas”, pontua.

No início desse movimento, existia a participação de uma empresa terceirizada que comercializava pacotes de robótica, a Zoom Education of Life. “Depois disso, evoluímos para um projeto próprio. Hoje em dia, a gente não realiza quase nada do que se fazia naquela época, modificamos todo currículo, todo o projeto para ficar com a nossa cara”, ressalta. 

No perfil do Instagram, o colégio registrou os motivos para ter seu projeto premiado:

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Robótica de maneira simples

As atividades no colégio envolvem a construção e a programação para o uso correto do funcionamento de um robô. “Se eu proponho criar um robô que faça um desenho, o aluno tem que fazer esse projeto, que pode ser com o brinquedo Lego ou em programas de softwares para desenhos técnicos e projetos diversos, como o AutoCAD. À primeira vista parece algo extremamente complexo, mas quando a gente usa o Lego, tudo isso fica muito facilitado”, explica.

A infraestrutura desse espaço maker é convencional, tem furadeira, lixadeira, parafusadeira, entre vários instrumentos para produzir as criações. Igualmente, tem computadores e notebooks disponíveis para programar, bem como espaços de montagem em que os alunos podem trabalhar em cima de um determinado projeto.

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O que vale é o “mão na massa”

Segundo Schneider, tanto na robótica como no ambiente maker existe uma infinidade de atividades. “Trabalhamos com programação, criação de maquetes, impressão 3D, entre outros recursos. Também tem a modelagem, que nada mais é do que pegar um problema e criar uma solução a partir do uso das tecnologias”, enfatiza.

Porém, para o professor, a Educação 4.0 não está restrita às tecnologias. Ele recorda de um caso de uma professora de português que nunca utilizou o espaço maker com seus alunos. “Ela usou a radionovela como instrumento de aprendizagem. Os estudantes foram estimulados a criar todo um cenário usando palavras. Esse exercício é uma coisa muito rica, é uma atividade maker, no sentido de que o aluno tem que colocar a mão na massa para procurar o resultado final, mas não é necessariamente feita no laboratório”, frisa.

Outro exemplo é aprender física por meio da construção de protótipos de pontes. A atividade está direcionada pelo educador, porém o aluno pode fazer a ponte que quiser para alcançar o seu objetivo. Alguns podem optar por uma ponte com cabo de aço, outros por uma estaiada. Podem ser pontes medievais ou mistas. “Teve um professor do segundo ano do Ensino Médio que fez um projeto de pontes que tinha que ter no máximo um quilograma. Os estudantes tinham que respeitar essa e outras regras estabelecidas”, lembra.

Já uma professora de biologia criou uma atividade que envolvia papa pilhas, papa lâmpadas e papa remédios espalhados pelo colégio. “Os alunos fizeram todo um estudo antes, houve um planejamento para que eles construíssem esses locais de descarte. Isso fez com que o engajamento deles aumentasse muito. O laboratório maker virou um ambiente para lixar, cortar e pintar”, relata. 

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Resultados e planos

Do que foi perceptível observar, Schneider destaca que os alunos demonstraram uma melhora na argumentação, na fala, na socialização, na motricidade fina, na desinibição, além de diminuir conflitos entre os colegas. Ele também aponta como grande resultado a maior autonomia para aprender. “Os estudantes deixaram de ser passivos para serem ativos. Passaram a buscar seus resultados, a querer construir a sua própria história”, salienta.

Quando vão até o laboratório maker, os jovens têm demonstrado interesse em construir novas ideias. Não apenas a construção física, como um robô, mas encontrar soluções. Essa forma de ensinar refletiu em boas notas em matemática, por exemplo, pois os alunos passam a entender, na prática, o processo educacional. “Não temos um currículo engessado, é muito bem direcionado. Faz com que os estudantes busquem um mesmo propósito”, sinaliza.

E para 2024, o colégio almeja novos horizontes. Um deles é realizar a implementação curricular desse conceito de aprendizado na Educação Infantil, que, até então, participava apenas de projetos. “Os alunos vão passar a ter uma aula programada por mês. A partir de 2025, terão aulas quinzenais”, antecipa.

Outro plano é participar de competições de conhecimentos, como olimpíadas e feiras de ciências, sendo que já existe uma equipe para concorrer. “Esse ano pretendemos investir mais esforços naqueles estudantes que querem estar nesses eventos nacionais e internacionais”, projeta.

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