Como a educação positiva pode colaborar na aprendizagem

Com livros e perfis nas redes sociais abordando o assunto, cresce o interesse pelo tema, que tem como proposta o foco na saúde emocional dos pequenos e dos jovens

por: Bianca Zasso | Especial

Encontrar um caminho diferente do padrão estabelecido pela sociedade (e reforçado pela mídia em filmes e novelas) para criar crianças e adolescentes mais seguros e livres. Essa é a proposta da chamada Educação Positiva que atualmente tem sido bastante abordada por profissionais da saúde, como psicólogos e pediatras, e também educadores que utilizam a internet para trazer dicas de como abordar o assunto nas famílias e também na escola. 

“Os pesquisadores da Psicologia Positiva conseguiram confirmar que quanto mais bem equilibradas estiverem as forças pessoais, melhor estará a emoção positiva, o engajamento da pessoa em algo que a motive, na forma de cultivar os relacionamentos, no sentido atribuído à sua vida presente e no senso de realização”

Josiane Lieberknecht Wathier Abaid – psicóloga

Conforme esclarece a psicóloga e docente da Universidade Franciscana (UFN) de Santa Maria, Josiane Lieberknecht Wathier Abaid, a educação positiva consiste em uma forma de orientar os filhos e educandos de uma forma mais habilidosa socialmente e emocionalmente favorável, com foco na segurança, no afeto e exigência na medida que possibilite um desenvolvimento emocional e social competente da criança e do adolescente para lidar com o mundo.

“A abordagem da Psicologia Positiva, construída inicialmente pelo psicólogo americano Martin Seligman e que se baseia na Teoria do Bem-estar, afirma que este tem cinco componentes mensuráveis: emoção positiva, engajamento, relacionamentos, sentido e realização. A combinação desses elementos reúne a manifestação atual do bem-estar de um indivíduo. Baseado em pesquisas científicas ao longo de mais de 20 anos, os pesquisadores da Psicologia Positiva conseguiram confirmar que quanto mais bem equilibradas estiverem as forças pessoais, melhor estará a emoção positiva, o engajamento da pessoa em algo que a motive, na forma de cultivar os relacionamentos, no sentido atribuído à sua vida presente e no senso de realização”, explica. 

A mudança que tornou as redes sociais um dos espaços de busca por informação teve um grande peso na educação positiva. A pedagoga brasileira Maya Eigenmann conquistou seguidores e espaço na mídia por conta de seus conteúdos no Instagram e no YouTube que abordam o tema de forma criativa. Assim como ela, muitos educadores e até famílias compartilham propostas baseadas na educação positiva. Josiane acredita que esse material pode ser de grande ajuda para auxiliar pais, mães e educadores, mas que não existe um manual de instrução. 

“É importante que o adulto se importe em ouvir a criança, seus anseios e necessidades, e deixe claro até onde ela pode ir, o que espera dela dentro das possibilidades de desenvolvimento que ela é capaz de fazer naquele momento”

Josiane Lieberknecht Wathier Abaid – psicóloga

“Cada família precisa avaliar e adaptar as técnicas ao seu contexto. Em casos mais graves, a busca de um profissional da psicologia pode auxiliar, pois ele poderá fazer sessões de educação parental exatamente para isso. Há também grupos de educação parental, onde os responsáveis podem se espelhar nos demais e se sentir amparados. Em 2019, criamos o Projeto Pais Mais junto à Universidade Franciscana, que realiza encontros estruturados de educação parental”, informa a professora. 

Mesmo com a grande divulgação, a Educação Positiva não é imune às críticas. Alguns pontos da abordagem podem trazer dúvidas, já que há uma linha tênue entre o respeito às individualidades de cada criança e a permissividade. Josiane atenta que muitas pessoas pensam que Educação Positiva consiste em simplesmente não bater na criança e, como resultado, cria-se alguém sem limites. 

“No entanto, as práticas educativas devem combinar da forma mais harmônica possível o afeto com a exigência. É muito importante que a criança se sinta segura de que os pais e educadores serão constantes nas condutas. Que deixarão as regras claras para ela e as consequências serão já esperadas. Assim, é importante que o adulto se importe em ouvir a criança, seus anseios e necessidades, e deixe claro até onde ela pode ir, o que espera dela dentro das possibilidades de desenvolvimento que ela é capaz de fazer naquele momento”, orienta. 

Quando o assunto é o ambiente escolar, os princípios da Educação Positiva podem ser adaptados para o contexto da educação infantil e básica e colaborar para o desenvolvimento da aprendizagem. Sem ficar preso a métodos e buscando sempre aprimorar-se nos estudos sobre o desenvolvimento e o comportamento infantil, é possível que educadores e educandos atinjam ótimos resultados e tornem a sala de aula um lugar ainda mais estimulante e acolhedor. 

“A educação positiva pode e deve ser utilizada em diferentes contextos. Vale lembrar que todos estamos nos desenvolvendo. Os pais e educadores não conseguem seguir sempre à risca as dicas. E é normal não acertar sempre. O importante é ter como meta seguir nesta direção, o que já vai ajudar muito na convivência e aprendizagem do bem-estar”, conclui. 

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