A Inteligência Artificial chega à lição de casa

Google Classroom lança ferramenta que gera perguntas automaticamente

por: Tatiana Py Dutra | Especial
imagem: AdobeStock

Durante a pandemia da Covid-19, escolas de diversos Estados adotaram plataformas digitais para seguir com o ano letivo. Uma das mais populares foi o Google Classroom (Sala de Aula em tradução livre), inicialmente usada como sala de aula interativa, mural de avisos e espaço para compartilhamento de arquivos.

Passado o isolamento social, a plataforma segue trabalhando para se manter relevante no segmento escolar. Recentemente, o Google anunciou uma nova funcionalidade: o Série de Exercícios. Trata-se de uma ferramenta que usa a Inteligência Artificial  (IA) para transformar qualquer conteúdo em atividades interativas.

Conforme o professor envia conteúdos para a plataforma, perguntas relacionadas são criadas automaticamente. O programa consegue conferir todo o trabalho enviado pelos alunos e validar se as respostas estão corretas ou incorretas. Além de dar feedback para o aluno em tempo real após a conclusão dos exercícios, a ferramenta é capaz de sugerir materiais complementares (como links e vídeos) e dar dicas automatizadas para sanar dúvidas dos estudantes.

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Após esse processo, o Série de Exercícios fornece ao professor relatórios de aprendizado baseados nas respostas dos alunos. Assim, os docentes conseguirão mapear as principais dificuldades da turma e de cada estudante em particular.

“Acreditamos que a IA transformará o ensino e liberará o potencial dos alunos e estamos comprometidos em ajudar a desenvolvê-la com responsabilidade. Ao olharmos para o futuro da educação, imaginamos a IA desempenhando um papel fundamental na construção de uma sala de aula onde o aprendizado é pessoal e os professores possuam o tempo de que precisam para fazer o que fazem de melhor: ensinar”, explicou o diretor do Google for Education para a América do Sul, Alessandro Leal, no lançamento do Série de Exercícios.

Alguns cuidados

Especialista em processos de aprendizagem, Luciana Alencar ainda não testou a ferramenta – por enquanto disponível apenas em inglês, com previsão de suporte para português até o fim do ano, disponível no Google Workspace for Education, que é uma versão paga. Ainda assim, acredita que a novidade pode ser um recurso educacional agregador, já que torna mais atraente a prática de exercícios. Se adotado, porém, não deve substituir a avaliação pessoal do educador.

“Por mais que os espaços educacionais estejam ‘predestinados’ a adotar tecnologias e Inteligência Artificial, há que se respeitar a humanização do saber. E isso vale também para cursos online. O professor foi formado para esse papel e não creio que deva abrir mão dele”, diz.

Já a professora do curso de Pedagogia e Licenciaturas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo (SP), Ana Lúcia de Souza Lopes, ressalta que o uso da tecnologia precisa estar ligada a uma intencionalidade pedagógica. 

“Utilizar somente um suporte hoje não possibilita uma aprendizagem significativa aos estudantes. Cada recurso exige uma competência diferente e experiências ‘pobres’ diminuem a possibilidade de o estudante ter experiências de aprendizagem significativas”, diz Ana Lúcia.

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