Passado e futuro do ensino marcam os debates do Seminário de Gestores 2026
Evento também celebrou os 200 anos do anfitrião Instituto Rio Branco, de São Leopoldo
Mais de 100 participantes ocuparam o salão de atos do Instituto Rio Branco, em São Leopoldo, para acompanhar o ciclo de palestras do Seminário de Gestores. O evento, promovido pelo SINEPE/RS foi marcado por reflexões sobre temas como o uso de inteligência artificial, liderança e gestão. O evento contou com o patrocínio do Santillana Educação, Sistema Etapa, Bernoulli Sistema de Ensino e Cultura Inglesa – Programa Bilíngue.
O local do encontro não foi escolhido por acaso: este ano, o instituto comemora dois séculos de história, tendo sido a primeira escola do Rio Grande do Sul. Em seu discurso de abertura, o presidente do SINEPE/RS, Oswaldo Dalpiaz, salientou que educar não é transferir dados, mas desenvolver competências e habilidades, formando cidadãos conscientes de seu papel no mundo. Ele também destacou a importância de conhecer e valorizar a história do ensino.
“Comemorar 200 anos não é apenas olhar para o retrovisor e contar décadas, mas celebrar a resiliência de uma ideia que se mostrou necessária por meio de transformações culturais e sociais profundas”, comentou Dalpiaz. Na sequência, ele entregou à diretora do instituto, Taciana Feldmann, uma placa alusiva ao bicentenário da escola.
Abrindo o ciclo de palestras, a professora Maria Célia Azevedo Lopes contou a história do Instituto Rio Branco, desde quando se chamava Gemeindeschule (escola comunitária alemã) – depois vieram ainda vieram as denominações Deutsch-Evangelische (escola evangélica alemã), Colégio Centenário (no começo do processo de nacionalização, em alusão ao centenário da imigração), até chegar ao nome atual, como reflexo da política nacionalista do Estado Novo, na Era Vargas.
A seguir, o professor e historiador Martin Dreher traçou uma linha do tempo da educação no Rio Grande do Sul. Com uma apresentação rica em imagens históricas, ele mostrou as iniciativas que deram origem ao instituto, no contexto da chegada dos imigrantes alemães. “Tudo começa nas linhas e picadas da imigração e suas escolas, a partir de 1824, com alemães, italianos, poloneses e outros grupos. Também houve cooperativas de ensino em centros urbanos, sociedades de auxílio mútuo, ordens religiosas e iniciativas protestantes, como luteranos, anglicanos e metodistas”, explicou.
Quem subiu ao palco na sequência foi o reitor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Rafael Henn. Ele apresentou situações comuns a todos os gestores, defendendo que para pensar o futuro é preciso ter tranquilidade e, principalmente, voltar à origem – entendendo a essência da instituição e da educação, e por que ela não pode ser mudada. “As pessoas passam. A missão fica. Temos de ter pessoas que continuem essa missão. Por isso é importante formarmos líderes”, apontou.
A educação do futuro
Abrindo a programação da tarde, foi a vez da gerente de produtos da Cultura Inglesa, Karina Rocha Nazzari, falar sobre a escola do futuro e como a inteligência artificial está redefinindo a educação. Entre notícias, estatísticas e normas governamentais, ela traçou um panorama sobre os pontos que exigem maior atenção por parte dos gestores.
Já a doutora em Educação e consultora pedagógica Fernanda Gomides, representando a Santillana Educação, falou sobre a gestão escolar em tempos de hiperconexão. Questões como dificuldade de concentração, vício em tecnologia e a divisão da atenção foram trazidas como aspectos da sociedade que se refletem em sala de aula. “Por mais incrível que vocês sejam como gestores, se entender o papel da tecnologia na vida de seus filhos não fizer parte da cultura familiar, pouco a gente vai conseguir fazer”, alertou Gomides. Apesar de toda a tecnologia que permeia as relações, ela aposta que o futuro é essencialmente humano e, consequentemente, a educação do futuro também precisará ser profundamente humana.
O seminário foi saudado pelos participantes. A presidente do Conselho Estadual de Educação do Rio Grande do Sul (CEEd/RS), Fátima Ehlert, destacou o simbolismo de promover o encontro em uma instituição com tanta história e que se mantém atual. Ela também comentou sobre a relevância dos momentos de formação. “É importante que os gestores possam refletir, projetar e se inspirar para o desafio diário que é fazer gestão. As crianças vêm estudar com muitas expectativas e precisam de uma escola que se renova e inova sem perder seus princípios e objetivos, caminhando lado a lado com essa juventude que vem cheia de sonhos e ideais. A escola é o espaço que acolhe, ensina e transforma vidas”, frisou.
O diretor do Colégio Notre Dame Aparecida, de Carazinho, André Binsfeld, sente o desafio de um processo de transformação muito grande, especialmente no setor privado da educação. “Quando a gente se reúne, consegue observar coisas, experienciar novidades, mas principalmente discutir as mesmas dores que temos nas escolas, vendo que não estamos sozinhos. Isso nos dá força para construir alternativas para a sobrevivência das instituições e para os ideais da educação”, afirmou.
A vice-diretora do Colégio Maria Imaculada, de Porto Alegre, Kelly Pulice, salientou a importância de sair um pouco do espaço do dia a dia para ampliar horizontes. “Ouvimos falas importantes mostrando que, no momento em que estamos em uma competição por alunos e matrículas, os valores e a tradição são pontos que não devem ser modificados. Podemos melhorar e inovar, mas a tradição é importante – e isso ficou muito claro na fala dos historiadores e lideranças”, comentou.
Para o coordenador pedagógico do Colégio Concórdia Porto Alegre, Anderson Miguel Finger, o evento serviu como um processo de atualização e para lembrar aspectos fundamentais do autodesenvolvimento. “Precisamos valorizar nossa saúde e nossa família para estarmos bem diante de todos os desafios que enfrentamos no dia a dia”, resumiu.
Taciana Feldmann reforçou a satisfação da escola em oferecer esse dia de formação para os gestores, em parceria com o SINEPE/RS. “É uma grande alegria receber os colegas diretores de escolas privadas do Rio Grande do Sul onde tudo começou, comemorando nossos 200 anos na companhia de todos”, disse a diretora do instituto.
Ao final, o presidente do Sinepe/RS, Oswaldo Dalpiaz, avaliou o seminário como “maravilhoso”, apesar de o número de presentes ter ficado aquém da expectativa. “Foi bonito porque apresentamos um momento histórico, quando as escolas surgiram, o trabalho que fizeram para trazer esta mensagem educativa até agora, e apontamos alguns caminhos para o futuro”, enalteceu.