Pesquisa do SINEPE/RS aponta que restrição de celular melhora aprendizado e interação escolar
Após um ano da lei, levantamento indica ganhos no desempenho e na convivência dos alunos; implementação da norma segue em fase de consolidação
Um ano após a implementação da lei que restringe o uso de celulares no ambiente escolar, as instituições de ensino já começaram a avaliar os impactos das mudanças. A maioria avalia a medida como positiva para o ambiente escolar e para a aprendizagem. É o que aponta levantamento realizado pelo SINEPE/RS, em fevereiro de 2026, que contou com a participação de 121 escolas do Rio Grande do Sul.
De acordo com a pesquisa, 92% das instituições consideram que a restrição teve impacto positivo no clima escolar, enquanto 8% avaliaram o efeito como neutro. Nesta questão, nenhuma escola relatou o impacto como negativo.
Os resultados também foram percebidos no contexto acadêmico: 91% das instituições afirmam que observaram ganhos na aprendizagem dos alunos após a proibição do celular nas salas de aula, enquanto apenas 9% não identificaram mudanças.
Implementação em progresso
Apesar da avaliação positiva, o levantamento indica que o cumprimento da regra segue em processo de consolidação. Para 53% das instituições, a adesão dos alunos é considerada moderada, enquanto 38% classificam o cumprimento como fácil e somente 9% apontam dificuldades.
Segundo o presidente do SINEPE/RS, Oswaldo Dalpiaz, as instituições de ensino já estavam iniciando um processo de conscientização sobre o uso do celular na escola, o que contribuiu para a adaptação à lei. “Hoje as escolas estão focadas na conscientização sobre o uso do celular, muito mais do que olhar a proibição”, destaca.
A participação das famílias também foi considerada relevante no processo. Para 58% das escolas participantes, os pais e responsáveis apoiaram e reforçaram a restrição em casa. Outros 28% demonstraram apoio parcial, enquanto 12% relataram apoio com dificuldades. Apenas 3% não se posicionaram, e nenhuma instituição relatou resistência direta à medida.
Em geral, as instituições avaliaram a política como positiva: 82% indicam que a lei deve permanecer como está, 17% sugerem ajustes, e apenas 1% acredita que a medida deve passar por revisão mais profunda. Nenhuma instituição consultada defendeu o fim da restrição.